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quinta-feira, 5 de maio de 2011

AINDA VÃO TER SAUDADES DO PEC4 (2)

Acerca do programa de ajuda externa:

As traves-mestras da velha política económica são dizimadas. Há uma razia nos subsídios às energias renováveis, nos incentivos à aquisição de casa própria, nas políticas agressivas de Obras Públicas, nas parcerias público-privadas. Porquê? Volte a ler a frase anterior e responda a si mesmo: a quem aproveitaram no passado essas políticas? Eu ajudo: às empresas do regime. À EDP, à Mota-Engil, à Brisa, à Galp, à Caixa, ao BES, ao BCP, ao BPI... Foram elas que receberam ou financiaram os projectos, que viram os riscos dos seus negócios serem cobertos pelos contribuintes ao abrigo das "políticas de modernização".

Retirado daqui 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O LEGADO DE SOCRATES E DO PS

Projecções do FMI são negras: até final deste ano, o desemprego em Portugal atingirá os 11,9%. Para o ano chegará aos 12,4%.

Mas pior que o valor em si é a tendência de evolução, sobretudo face ao resto da zona euro. No próximo ano, na moeda única, todos os estados-membros terão já o mercado de trabalho a recuperar, com o desemprego a descer. As excepções à regra são Portugal e Grécia, onde o número de desempregados vai continuar a aumentar.

As previsões são do Fundo Monetário Internacional (FMI) e constam do World Economic Outlook. O documento aponta ainda uma taxa de inflação em Portugal nos 2,4% este ano, recuando depois para 1,4% em 2012.

FMI: Portugal viverá em recessão até 2012

Portugal será o único país da Europa a destruir riqueza no próximo ano, segundo as novas previsões do FMI.

De acordo com o World Economic Outlook, a economia nacional vai recuar 1,5% este ano. É a previsão mais pessimista para o país até ao momento e não incorpora ainda o impacto das medidas de austeridade que vão ser exigidas a Portugal por Bruxelas e pelo próprio FMI, na sequência do pedido de ajuda externa.

Mais: Para o ano, Portugal vai continuar a destruir riqueza. O PIB deverá contrair 0,5%. E, de acordo com o Fundo, a economia portuguesa será a única da União Europeia em recessão no próximo ano.

Nesse sentido, aliás, até mesmo a Grécia, que também está sujeita a um programa de austeridade do FMI, vai conseguir crescer. A economia helénica deverá avançar 1,1% em 2012, depois de três anos seguidos de quebras no PIB.


Não está mau que chegue? Vão lá votar nele! 
 

sexta-feira, 1 de abril de 2011

FMI - "Só um milagre pode evitar a ajuda externa"

A única portuguesa conselheira do Fundo Monetário Internacional (FMI) diz que o estado das finanças públicas portuguesas é uma ameaça para o Estado social. "Ou a ajuda externa ou um milagre"

aqui

terça-feira, 22 de março de 2011

Porquê tanto medo do FMI?

Avelino de Jesus  (TEXTO COMPLETO: AQUI)

Para muitos analistas, a persistente rejeição dos poderes públicos à "entrada do FMI" está a transformar-se numa atitude irracional, motivada por resquícios de ultrapassados julgamentos ideológicos, qual última barreira ao avanço do "neo-liberalismo". É um erro - e uma ingenuidade - pensar assim. Por um lado, aquela atitude é bem cerebral e, por outro, o descaramento das políticas da chamada terceira via há muito curou aqueles pruridos ideológicos.

Há que procurar melhor as verdadeiras razões.

De facto, a recusa em aceitar pacificamente a colaboração do FMI - tão frequente e veementemente afirmada - não releva nem da ideologia, nem da irracionalidade. Pelo contrário, aquela atitude repousa numa rigorosa análise das consequências previsíveis da intervenção do FMI sobre a opacidade da informação e dos processos de decisão em fundamentais aspectos da política económica.

O medo do FMI é - antes de tudo o resto - temor da capacidade de análise e de revelação do estado real da economia portuguesa, em geral, mas sobretudo, no âmbito dos compromissos públicos constantes nos contratos das parcerias público - privadas e concessões e em todos os compromissos implícitos e não publicitados propiciados pela reinante promiscuidade entre os sectores público e privado.

No processo, em curso, de renegociação do Fundo Europeu de Estabilização Financeira alguns viram uma certa subalternização do FMI. Viram mal.

Recordemos que, no ano passado, quando se organizou o processo de ajuda à Grécia, a participação do FMI, a princípio, foi muito contestada. Mas aquela participação acabou por ficar consagrada e é hoje considerada indispensável. De facto, o FMI é insubstituível devido à sua capacidade técnica, à sua independência e à profundidade do trabalho de recolha de informação das suas equipas de peritos.

Devemos recordar que em múltiplas situações - antes e depois da criação do euro - as instituições da União Europeia falharam, redondamente, na despistagem atempada dos incumprimentos e na confirmação de dados estatísticos relevantes. Estas falhas ocorreram em relação a vários países - a Grécia é apenas o caso mais gritante.

As falhas devem-se, por um lado, a deficiência técnicas e, por outro, a razões de ordem política, derivadas do modo negociado como são constituídas as equipas e elaborados os métodos de trabalho.

No confuso processo de renegociação em curso parece ser desejo de alguns que o FMI desapareça do caminho. Não é provável que tal ocorra, pelos motivos que atrás enuncio. Os avanços e recuos nos chamados "testes de stress" aos bancos europeus mostram as dificuldades informacionais que defrontamos na Europa. As negociações em curso, estarão irremediavelmente desactualizadas, dentro em pouco, quando se conhecerem os pormenores da segunda ronda dos "testes de stress" do bancos.

É certo que o FMI é apenas um parceiro e não tem uma palavra determinante na formulação das políticas. A influência do Conselho Europeu resulta numa composição desequilibrada de interesses em que os devedores são prejudicados por uma visão de curto prazo que prevalece. (A fixação, à Grécia e à Irlanda, de elevados juros e de prazos de pagamento reduzidos, e o escandaloso pedido à Irlanda - logo recusado - para aumentar a taxa de IRC são boas ilustrações dos limites deste processo.)

O episódio, relatado pela edição alemã do "Financial Times", das "diferenças" encontradas pelas equipas do BCE e da Comissão Europeia que recentemente visitaram o país é bem ilustrativo dos problemas em causa. A confiança na informação constitui um pressuposto básico num processo de normal de formulação e implementação da política económica.

Ainda que "flexibilizado", o Fundo Europeu de Estabilização Financeira não pode dispensar o FMI. Ainda bem, para a transparência das contas públicas e da clareza das relações entre os sectores públicos e privado.

A disponibilização e a fiabilidade das informações relativas a toda a actividade económica e financeira do Estado é uma exigência de grande alcance moral que, infelizmente, muitos teimam em menosprezar.


Economista e professor do ISEG