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quinta-feira, 5 de maio de 2011

OLHA, LÁ VAI UM PORCO A ANDAR DE BICICLETA

Está um bocadito atrasado, não?...

Mário Soares penitencia-se por ataques a Sá Carneiro:
"Mário Soares assumiu a responsabilidade política por ataques infelizes a Sá Carneiro. Nomeadamente, uma nota com a cara de fundador do PSD, numa alusão a uma dívida que este tinha à banca e em alusões ao relacionamento com Snu Abecassis, com quem o então líder social-democrata vivia em união de facto." (aqui)

 

terça-feira, 29 de março de 2011

A POLÍTICA QUE NÃO SERVE O POVO

Estamos numa embrulhada de todo o tamanho.

Os compromissos financeiros que o estado Português tem para honrar no futuro próximo, podem ditar a “morte” anunciada: FMI. A Europa (Alemanha e França) começa a deixar cair mais este PIG. E se ainda não caímos é porque eles têm medo da Espanha e do Euro.

De acordo com o Diário Económico, o ministro das Finanças alemão espera um pedido de ajuda de Portugal ao FMI e à Europa em Junho. Adorável é o comentário: “Oficialmente, Angela Merkel evita a todo o custo parecer estar a pressionar Portugal”.

Infelizmente, basta olhar para os factos para reconhecer que a coisa está negra. Os especialistas dizem mesmo que, após o anúncio do montante necessário para Portugal, 75 mil milhões de Euros, anúncio feito na passada semana pelo primeiro-ministro luxemburguês e presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, a história ficou contada. Só isso justifica que as contas já estivessem feitas!

Podem os políticos Portugueses dizer o que quiserem, que desta já dificilmente nos safamos. O Sr. Andrew Bosomworth, (Um dos Srs. “mercados”), afirma mesmo que “neste momento, faria sentido Portugal recorrer ao fundo de resgate de forma a conseguir empréstimos para financiar a dívida que vai vencer”

Ainda assim, ao que tudo indica, o estado português já terá garantido o dinheiro necessário para sobreviver até Junho. De contrário, dificilmente o Presidente da Republica poderia aceitar a demissão do governo e dificilmente o ministro alemão avançaria datas.

Por cá, vamos tendo mais do mesmo. Politiquice barata!

Indiferente (ou talvez não) à difícil situação do País, o Sr. Primeiro-ministro suspendeu a democracia e avançou com a propaganda, dando-se mesmo ao desplante de sair da assembleia da república aquando da discussão do PEC4; e tudo ainda a tempo de ser a vítima desta história mal contada.

Já o Presidente da Republica errou, não no discurso de tomada de posse, mas muito antes, só que aí, não tinha condições políticas para pôr o dedo na ferida, afinal ainda tinha umas eleições pela frente.

A propósito do discurso de tomada de posse do presidente, convém reconhecer que foi duro para o governo. Não teve a delicadeza de outros tempos, pelo que me arrisco mesmo a dizer que o Presidente da Republica tinha conhecimento, não oficial, da existência de certas negociações. De qualquer modo, a bem dos necessários consensos, deveria ter sido mais brando, até porque o tal discurso da verdade ficará para segundas núpcias.

Sim, infelizmente o nosso regime não valoriza a verdade! 

Infelizmente, como o confirma a pressa em comunicar ao país que as contas públicas não serão auditadas, o povo não merece conhecer a verdade antes de exercer o direito ao voto que está na base do regime. A partir deste ponto, é-me permitido pensar que está tudo bem pior do que nos é dado a conhecer.

Pelo meio, vários sinais perturbadores. 

O PSD, que quer ser governo, dá sinais contraditórios, pondo-se a jeito das críticas do PS. Neste momento, não transmite segurança e o episódio da suspensão da avaliação dos professores, por justo que seja, deixa muito a desejar. Alguns responsáveis do partido andam quase histéricos, não se apercebendo que o “pote” está seco!

O PS, está moribundo. Anestesiado pelo veneno do poder não consegue dizer mais do que “Como foi possível fazerem isto ao País?” Ou talvez consiga. Com o governo já pré-demissionário, lá conseguiu aumentar os limites dos contratos públicos por ajuste directo. Tudo normal nesta república das bananas.

E os senadores? Tudo como antes…

O Dr. Mário Soares, que muita gente vê como referência, confesso que eu nem tanto, anda aos papéis. Teve um artigo no Diário de Notícias, “Um apelo angustiado”, publicado no dia 22 de Março, no qual tentou claramente condicionar o Presidente da Republica, sugerindo que este poderia evitar a “catástrofe anunciada”, esquecendo em absoluto todo o contexto político em que vivemos. Com este artigo, Mário Soares condicionou decisivamente a actuação do Presidente da Republica, independentemente de ter razão acerca do vazio de poder que nos espera num período tão decisivo.

Já hoje, o mesmo Mário Soares, volta ao Diário de Notícias com o artigo: “A demissão consagrou-se”. Um bom artigo que deveria dar muito que pensar. Ataca o presidente, dá uma alfinetada ao governo para a seguir o defender, ataca o PSD, o CDS e os partidos da “esquerda radical”, palavras dele.

Mas o melhor, vem depois (cito):
As culpas da União
2. Se há, nesta e noutras crises - financeira, económica, política, social e de valores - quem tenha culpas graves no cartório, como os espíritos lúcidos e independentes perceberam há muito, é a União Europeia e a fraqueza das suas instituições e lideranças: a Alemanha, da chanceler Merkel, a França, do Presidente Sarkozy, e a maioria dos líderes ultraconservadores que, nesta fase crítica, governam a esmagadora maioria dos Estados europeus.

Só lhe faltou dizer, como a namorada do primeiro-ministro, que o governo de Portugal aplica contrariado as políticas que o PSD gostaria de aplicar….

A crise financeira e económica actual - que está longe de ter passado - está a pôr em causa o neoliberalismo, que a maioria dos Estados europeus ainda não abandonou. O que implica rupturas urgentes...

Rupturas? Neste momento? Mas isso não era uma irresponsabilidade?

Acaba citando o artigo de Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia e professor da Universidade de Princeton, "A crise portuguesa e a política de austeridade” no qual o autor critica categoricamente as politicas adoptadas na Europa, em particular em Portugal, na resolução da actual crise da dívida.

A ideia até parece boa, mas o Dr. Soares lá se esqueceu: 
Há alturas em que, como ele bem sabe, é preciso “meter o socialismo na gaveta! Hoje não há espaço para ideologias. Não nos resta alternativa que não seja emagrecer para ir obtendo o dinheiro de que precisamos para viver. Não nos resta outra coisa senão empobrecer para pagar juros, e tudo isto porque os nossos governantes não quiseram ver as evidências, permitindo que nos endividássemos a um nível absolutamente absurdo, que resultou na inevitável perda de soberania.

Isto o Dr. Soares não escreve. Mas devia, porque enquanto o não fizer contribui para o país campeão do mundo na compra de telemóveis.

NOTA: O Dr. Soares também antecipa que as rupturas não se farão esperar por muito tempo e poderão ser mesmo violentas. Diz para porem os olhos no mundo

terça-feira, 22 de março de 2011

UM APELO ANGUSTIADO

O ex-presidente do PS, Mário Soares, publica hoje um artigo no DN (AQUI) com título muito sugestivo.

Deixo algumas passagens:

Com que autoridade, para negociar vantagens para Portugal, se irá apresentar em Bruxelas o primeiro-ministro português?

Não interessa agora discutir, do meu ponto de vista, a quem cabem as culpas do impasse criado. Quando há conflitos partidários, geralmente, as culpas são quase sempre, mais ou menos, repartidas. Vamos, de resto, ouvir, na campanha eleitoral que, ao que parece, infelizmente, se vai abrir, essa discussão interminável. Para quê? Talvez, para não termos tempo de tratar do essencial, o problema que mais aflige o Povo Português: como sair da crise, financeira e económica, em que estamos mergulhados

Quando o País acordar dessa campanha eleitoral, que só desacreditará os Partidos - os políticos e o País - quem terá condições efectivas para governar e nos tirar da crise? E por quanto tempo? Passos Coelho? Outra vez, Sócrates? À beira da bancarrota, o Povo Português estará então, desesperadamente, a pedir um governo de salvação nacional ou até: um salvador (que felizmente parece não ser fácil encontrar) visto não estarmos nos anos trinta do século passado... 

No meu modesto entender, só uma pessoa, neste momento, tem possibilidade de intervir, ser ouvido e impedir a catástrofe anunciada: o Senhor Presidente da República. 

Não resisto a algumas observações:
1 - Com que autoridade é que o Primeiro Ministro de Portugal, não tendo maioria absoluta no parlamento, negociou e se comprometeu em Bruxelas à revelia das instituições Portuguesas?
2 - Com que credibilidade é que o Primeiro Ministro de Portugal se apresentaria em Bruxelas com alterações ao PEC que as instâncias Europeias aceitaram como definitivo? 
3 - Interessa, e muito, discutir como chegámos a este impasse. 
4 - Interessa, e muito, perceber como é que em Janeiro aprovámos um Orçamento que, passados dois meses já não serve.
5 - Interessa, e muito, perceber se ainda temos direito à indignação.
6 - Interessa, e muito, saber qual é essa catástrofe anunciada.
7 - Interessa, e muito, perceber se o Dr. Soares defende o interesse nacional ou o interesse do PS
8 - Interessava ainda mais perceber o que é feito do inclino do Palácio de Belém 

Já Falou o Ferro Rodrigues, já falou o Mário Soares, só falta o Guterres dizer alto e a bom som:
O PÂNTANO É FIXE 

 

terça-feira, 15 de março de 2011

Soares: “Sócrates cometeu erros graves que irão custar-lhe caro”

Mário Soares critica “os esquecimentos imperdoáveis” do primeiro-ministro na apresentação do PEC IV.

Mário Soares juntou-se hoje aos socialistas que têm criticado, em público, a forma como José Sócrates geriu a apresentação do PEC IV sem avisar o Presidente da República, parceiros sociais e o principal partido da oposição.

Num artigo publicado hoje no Diário de Notícias, o ex-Presidente diz que Sócrates "cometeu erros graves": "Não tem informado, pedagogicamente, os portugueses, quanto às medidas tomadas e à situação real do País" e, "nos últimos dias, negociou o PEC IV sem informar o Presidente da República, o Parlamento, e os Parceiros Sociais. Foram esquecimentos imperdoáveis ou actos inúteis que irão custar-lhe caro".

Soares faz ainda dois reparos. Um ao discurso de tomada de posse de Cavaco Silva por não ter mencionado o impacto da crise internacional - "constitui uma falha inaceitável". Outro a Passos Coelho que reagiu com um discurso "muito didáctico" à forma errada como o primeiro-ministro geriu o anúncio de novas medidas de austeridade.

segunda-feira, 14 de março de 2011

ESCANDÂLOS DA DEMOCRACIA - MÁRIO SOARES (3)

Subsídios: Instituição fundada por Soares foi apoiada pelo estado desde 2002

Correio da Manhã - 10 Novembro 2005, Por: Ana Patrícia Dias
ORIGINAL (AQUI)


O Estado deu nos últimos três anos uma verba superior a 867 mil euros à Fundação Mário Soares.
O CM apurou, através de uma pesquisa no Diário da República, que a instituição ligada ao ex-Presidente da República recebeu, entre Fevereiro de 2002 e Julho de 2005, 867 055,94 euros dos ministérios da Defesa, da Cultura, da Administração Interna, através do Governo Civil do Distrito de Leiria, das Actividades Económicas e do Trabalho, através do Instituto do Emprego e Formação Profissional, e da Presidência do Conselho de Ministros.
(...)

ESCANDÂLOS DA DEMOCRACIA - MÁRIO SOARES (2)

Mário Soares visto pelo actual Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto no «Diário do Centro»
RETIRADO (AQUI)


MÁRIO SOARES E ANGOLA

A polémica em torno das acusações das autoridades angolanas segundo as quais Mário Soares e seu filho João Soares seriam dos principais beneficiários do tráfico de diamantes e de marfim levados a cabo pela UNITA de Jonas Savimbi, tem sido conduzida na base de mistificações grosseiras sobre o comportamento daquelas figuras políticas nos últimos anos. Espanta desde logo a intervenção pública da generalidade das figuras políticas do país, que vão desde o Presidente da República até ao deputado do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, passando pelo PP de Paulo Portas e Basílio Horta, pelo PSD de Durão Barroso e por toda a sorte de fazedores de opinião, jornalistas (ligados ou não à Fundação Mário Soares), pensadores profissionais, autarcas, «comendadores» e comentadores de serviço, etc.

Tudo como se Mário Soares fosse uma virgem perdida no meio de um imenso bordel.

Sei que Mário Soares não é nenhuma virgem e que o país (apesar de tudo) não é nenhum bordel. Sei também que não gosto mesmo nada de Mário Soares e do filho João Soares, os quais se têm vindo a comportar politicamente como uma espécie de versão portuguesa da antiga dupla haitiana «Papa Doc» e «Baby Doc».

Vejamos então por que é que eu não gosto dele(s).

A primeira ideia que se agiganta sobre Mário Soares é que é um homem que não tem princípios mas sim fins. É-lhe atribuída a célebre frase: «Em política, feio, feio, é perder». São conhecidos também os seus zigue-zagues políticos desde antes do 25 de Abril. Tentou negociar com Marcelo Caetano uma legalização do seu (e de seus amigos) agrupamento político, num gesto que mais não significava do que uma imensa traição a toda a oposição, mormente àquela que mais se empenhava na luta contra o fascismo.

JÁ DEPOIS DO 25 DE ABRIL, ASSUMIU-SE COMO O HOMEM DOS AMERICANOS E DA CIA EM PORTUGAL E NA PRÓPRIA INTERNACIONAL SOCIALISTA. Dos mesmos americanos que acabavam de conceber, financiar e executar o golpe contra Salvador Allende no Chile e que colocara no poder Augusto Pinochet.

Mário Soares combateu o comunismo e os comunistas portugueses como nenhuma outra pessoa o fizera durante a revolução e FOI AMIGO DE NICOLAU CEAUCESCU, FIGURA QUE CHEGOU A APRESENTAR COMO MODELO A SER SEGUIDO PELOS COMUNISTAS PORTUGUESES.

Durante a revolução portuguesa andou a gritar nas ruas do país a palavra de ordem «Partido Socialista, Partido Marxista», mas mal se apanhou no poder meteu o socialismo na gaveta e nunca mais o tirou de lá. Os seus governos notabilizaram-se por três coisas: políticas abertamente de direita, a facilidade com que certos empresários ganhavam dinheiro e essa inovação da austeridade soarista (versão bloco central) que foram os salários em atraso.

INSULTO A UM JUIZ

Em Coimbra, onde veio uma vez como primeiro-ministro, foi confrontado com uma manifestação de trabalhadores com salários em atraso. Soares não gostou do que ouviu (chamaram-lhe o que Soares tem chamado aos governantes angolanos) e alguns trabalhadores foram presos por polícias zelosos. Mas, como não apresentou queixa (o tipo de crime em causa exigia a apresentação de queixa), o juiz não teve outro remédio senão libertar os detidos no próprio dia. Soares não gostou e insultou publicamente esse magistrado, o qual ainda apresentou queixa ao Conselho Superior da Magistratura contra Mário Soares, mas sua excelência não foi incomodado.

Na sequência, foi modificado o Código Penal, o que constituiu a primeira alteração de que foi alvo por exigência dos interesses pessoais de figuras políticas.

Soares é arrogante, pesporrento e malcriado. É conhecidíssima a frase que dirigiu, perante as câmaras de TV, a um agente da GNR em serviço que cumpria a missão de lhe fazer escolta enquanto presidente da República durante a Presidência aberta em Lisboa:

«Ó Sr. Guarda! Desapareça!». Nunca, em Portugal, um agente da autoridade terá sido tão humilhado publicamente por um responsável político, como aquele pobre soldado da GNR.

Em minha opinião, Mário Soares nunca foi um verdadeiro democrata. Ou melhor é muito democrata se for ele a mandar. Quando não, acaba-se imediatamente a democracia. À sua volta não tem amigos, e ele sabe-o; tem pessoas que não pensam pela própria cabeça e que apenas fazem o que ele manda e quando ele manda. Só é amigo de quem lhe obedece. Quem ousar ter ideias próprias é triturado sem quaisquer contemplações.

Algumas das suas mais sólidas e antigas amizades ficaram pelo caminho quando ousaram pôr em causa os seus interesses ou ambições pessoais. Soares é um homem de ódios pessoais sem limites, os quais sempre colocou acima dos interesses políticos do partido e do próprio país.

Em 1980, não hesitou em APOIAR OBJECTIVAMENTE O GENERAL SOARES CARNEIRO CONTRA EANES, NÃO POR RAZÕES POLÍTICAS MAS DEVIDO AO ÓDIO PESSOAL QUE NUTRIA PELO GENERAL RAMALHO EANES. E como o PS não alinhou nessa aventura que iria entregar a presidência da República a um general do antigo regime, Soares, em vez de acatar a decisão maioritária do seu partido, optou por demitir-se e passou a intrigar, a conspirar e a manipular as consciências dos militantes socialistas e de toda a sorte de oportunistas, não hesitando mesmo em espezinhar amigos de sempre como Francisco Salgado Zenha.

Confesso que não sei por que é que o séquito de prosélitos do soarismo (onde, lamentavelmente, parece ter-se incluído agora o actual presidente da República (Mário Soares), apareceram agora tão indignados com as declarações de governantes angolanos e estiveram tão calados quando da publicação do livro de Rui Mateus sobre Mário Soares. NA ALTURA TODOS METERAM A CABEÇA NA AREIA, INCLUINDO O PRÓPRIO CLÃ DOS SOARES, E NEM TUGIRAM NEM MUGIRAM, APESAR DE AS ACUSAÇÕES SEREM ENTÃO BEM MAIS GRAVES DO QUE AS DE AGORA. POR QUE É QUE JORGE SAMPAIO SE CALOU CONTRA AS «CALÚNIAS» DE RUI MATEUS?». «DINHEIRO DE MACAU»

Anos mais tarde, um senhor que fora ministro de um governo chefiado por MÁRIO SOARES, ROSADO CORREIA, vinha de Macau para Portugal com uma mala com dezenas de milhares de contos. A proveniência do dinheiro era tão pouco limpa que um membro do governo de Macau, ANTÓNIO VITORINO, foi a correr ao aeroporto tirar-lhe a mala à última hora.

Parece que se tratava de dinheiro que tinha sido obtido de empresários chineses com a promessa de benefícios indevidos por parte do governo de Macau. Para quem era esse dinheiro foi coisa que nunca ficou devidamente esclarecida. O caso EMAUDIO (e o célebre fax de Macau) é um episódio que envolve destacadíssimos soaristas, amigos íntimos de Mário Soares e altos dirigentes do PS da época soarista. MENANO DO AMARAL chegou a ser responsável pelas finanças do PS e Rui Mateus foi durante anos responsável pelas relações internacionais do partido, ou seja, pela angariação de fundos no estrangeiro.

Não haveria seguramente no PS ninguém em quem Soares depositasse mais confiança. Ainda hoje subsistem muitas dúvidas (e não só as lançadas pelo livro de Rui Mateus) sobre o verdadeiro destino dos financiamentos vindos de Macau. No entanto, em tribunal, os pretensos corruptores foram processualmente separados dos alegados corrompidos, com esta peculiaridade (que não é inédita) judicial: os pretensos corruptores foram condenados, enquanto os alegados corrompidos foram absolvidos. Aliás, no que respeita a Macau só um país sem dignidade e um povo sem brio nem vergonha é que toleravam o que se passou nos últimos anos (e nos últimos dias) de administração portuguesa daquele território, com os chineses pura e simplesmente a chamar ladrões aos portugueses. E isso não foi só dirigido a alguns colaboradores de cartazes do MASP que a dada altura enxamearam aquele território. Esse epíteto chegou a ser dirigido aos mais altos representantes do Estado Português. Tudo por causa das fundações criadas para tirar dinheiro de Macau. Mas isso é outra história cujos verdadeiros contornos hão-de ser um dia conhecidos. Não foi só em Portugal que Mário Soares conviveu com pessoas pouco recomendáveis. Veja-se o caso de BETINO CRAXI, o líder do PS italiano, condenado a vários anos de prisão pelas autoridades judiciais do seu país, devido a graves crimes como corrupção. Soares fez questão de lhe manifestar publicamente solidariedade quando ele se refugiou na Tunísia.

Veja-se também a amizade com Filipe González, líder do Partido Socialista de Espanha que não encontrou melhor maneira para resolver o problema político do país Basco senão recorrer ao terrorismo, contratando os piores mercenários do lumpen e da extrema-direita da Europa para assassinar militantes e simpatizantes da ETA.

Mário Soares utilizou o cargo de presidente da República para passear pelo estrangeiro como nunca ninguém fizera em Portugal. Ele, que tanta austeridade impôs aos trabalhadores portugueses enquanto primeiro-ministro, gastou, como Presidente da República, milhões de contos dos contribuintes portugueses em passeatas pelo mundo, com verdadeiros exércitos de amigos e prosélitos do soarismo, com destaque para jornalistas. São muitos desses «viajantes» que hoje se põem em bicos de pés a indignar-se pelas declarações dos governantes angolanos.

Enquanto Presidente da República, Soares abusou como ninguém das distinções honoríficas do Estado Português. Não há praticamente nenhum amigo que não tenha recebido uma condecoração, enquanto outros cidadãos, que tanto mereceram, não obtiveram qualquer distinção durante o seu «reinado». Um dos maiores vultos da resistência antifascista no meio universitário, e um dos mais notáveis académicos portugueses, perseguido pelo antigo regime, o Prof. Doutor Orlando de Carvalho, não foi merecedor, segundo Mário Soares, da Ordem da Liberdade. Mas alguns que até colaboraram com o antigo regime receberam as mais altas distinções. Orlando de Carvalho só veio a receber a Ordem da Liberdade depois de Soares deixar a Presidência da República, ou seja logo que Sampaio tomou posse. A razão foi só uma: Orlando de Carvalho nunca prestou vassalagem a Soares e Jorge Sampaio não fazia depender disso a atribuição de condecorações.

FUNDAÇÃO COM DINHEIROS PÚBLICOS

A pretexto de uns papéis pessoais cujo valor histórico ou cultural nunca ninguém sindicou, Soares decidiu fazer uma Fundação com o seu nome. Nada de mal se o fizesse com dinheiro seu, como seria normal.

Mas não; acabou por fazê-la com dinheiros públicos. SÓ O GOVERNO, DE UMA SÓ VEZ DEU-LHE 500 MIL CONTOS E A CÂMARA DE LISBOA, PRESIDIDA PELO SEU FILHO, DEU-LHE UM PRÉDIO NO VALOR DE CENTENAS DE MILHARES DE CONTOS.

Nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Alemanha ou em qualquer país em que as regras democráticas fossem minimamente respeitadas muita gente estaria, por isso, a contas com a justiça, incluindo os próprios Mário e João Soares e as respectivas carreiras políticas teriam aí terminado. Tais práticas são absolutamente inadmissíveis num país que respeitasse o dinheiro extorquido aos contribuintes pelo fisco. Se os seus documentos pessoais tinham valor histórico Mário Soares deveria entregá-los a uma instituição pública, como a Torre do Tombo ou o Centro de Documentação 25 de Abril, por exemplo. Mas para isso era preciso que Soares fosse uma pessoa com humildade democrática e verdadeiro amor pela cultura. Mas não. Não eram preocupações culturais que motivaram Soares. O que ele pretendia era outra coisa.

Porque as suas ambições não têm limites ele precisava de um instrumento de pressão sobre as instituições democráticas e dos órgãos de poder e de intromissão directa na vida política do país. A Fundação Mário Soares está a transformar-se num verdadeiro cancro da democracia portuguesa.»

ESCANDÂLOS DA DEMOCRACIA - MÁRIO SOARES (1)

Momentos de lucidez (Retirado AQUI)

Atribuído a Clara Ferreira Alves, este artigo sobre Mário Soares circulou em 2009 pela net através de inúmeros blogues e de correntes de e-mails. Tendo sido objecto de acesas discussões, desde os fóruns e caixas de comentários até às mesas de cafés um pouco por todo o país, foi, contudo, pela própria desmentida posteriormente a sua autoria. Alguém anónimo e com um estranho sentido de cidadania terá dado início a esta corrente em nome daquela jornalista do Expresso, mas, na verdade, a sua verdadeira autoria é de Ricardo Santos Pinto no blogue “5 Dias.net”, publicado em 12/Jan/2009. 

«Eis parte do enigma. Mário Soares, num dos momentos de lucidez que ainda vai tendo, veio chamar a atenção do Governo, na última semana(*), para a voz da rua. A lucidez, uma das suas maiores qualidades durante a sua longa carreira política.
A lucidez que lhe permitiu escapar à PIDE e passar um bom par de anos, num exílio dourado, em hotéis de luxo em Paris.
A lucidez que lhe permitiu conduzir da forma “brilhante” que se viu, o processo de descolonização.
A lucidez que lhe permitiu conseguir que os Estados Unidos financiassem o PS durante os primeiros anos da Democracia.
A lucidez que o fez meter o socialismo na gaveta durante a sua experiência governativa.
A lucidez que lhe permitiu tratar de forma despudorada amigos como Jaime Serra, Salgado Zenha, Manuel Alegre e tantos outros.
A lucidez que lhe permitiu governar sem ler os “dossiers”.
A lucidez que lhe permitiu não voltar a ser primeiro-ministro depois de tão fantástico desempenho no cargo.
A lucidez que lhe permitiu pôr-se a jeito para ser agredido na Marinha Grande e, dessa forma, vitimizar-se aos olhos da opinião pública e vencer as eleições presidenciais.
A lucidez que lhe permitiu, após a vitória nessas eleições, fundar um grupo empresarial, a Emaudio, com “testas de ferro” no comando e um conjunto de negócios obscuros que envolveram grandes magnatas internacionais.
A lucidez que lhe permitiu utilizar a Emaudio para financiar a sua segunda campanha presidencial.
A lucidez que lhe permitiu nomear para Governador de Macau Carlos Melancia, um dos homens da Emaudio.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume no caso Emaudio e no caso Aeroporto de Macau e, ao mesmo tempo, dar os primeiros passos para uma Fundação na sua fase pós-presidencial.
A lucidez que lhe permitiu ler o livro de Rui Mateus, “Contos Proibidos”, que contava tudo sobre a Emaudio, e ter a 'sorte' de esse mesmo livro, depois de esgotado, jamais voltar a ser publicado.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume às “ligações perigosas” com Angola, ligações essas que quase lhe roubaram o filho no célebre acidente de avião na Jamba (avião esse carregado de diamantes, no dizer do Ministro da Comunicação Social de Angola).
A lucidez que lhe permitiu, durante a sua passagem por Belém, visitar 57 países (”recorde” absoluto para a Espanha - 24 vezes - e França - 21), num total equivalente a 22 voltas ao mundo (mais de 992 mil quilómetros).
A lucidez que lhe permitiu visitar as Seychelles, esse território de grande importância estratégica para Portugal.
A lucidez que lhe permitiu, no final destas viagens, levar para a Casa-Museu João Soares uma grande parte dos valiosos presentes oferecidos oficialmente ao Presidente da Republica Portuguesa.
A lucidez que lhe permitiu guardar esses presentes numa caixa-forte blindada daquela Casa, em vez de os guardar no Museu da Presidência da Republica.
A lucidez que lhe permite, ainda hoje, ter 24 horas por dia de vigilância paga pelo Estado nas suas casas de Nafarros, Vau e Campo Grande.
A lucidez que lhe permitiu, abandonada a Presidência da Republica, constituir a Fundação Mário Soares. Uma fundação de Direito privado que, vivendo à custa de subsídios do Estado, tem apenas como única função visível ser depósito de documentos valiosos de Mário Soares. Os mesmos que, se são valiosos, deviam estar na Torre do Tombo.
A lucidez que lhe permitiu construir o edifício-sede da Fundação violando o PDM de Lisboa, segundo um relatório do IGAT, que decretou a nulidade da licença de obras.
A lucidez que lhe permitiu conseguir que o processo das velhas construções que ali existiam e que se encontrava no Arquivo Municipal fosse requisitado pelo filho e que acabasse por desaparecer convenientemente no incêndio dos Paços do Concelho.
A lucidez que lhe permitiu receber do Estado, ao longo dos últimos anos, donativos e subsídios superiores a cinco milhões de Euros.
A lucidez que lhe permitiu receber, entre os vários subsídios, um de dois milhões e meio de Euros, do Governo Guterres, para a criação de um auditório, uma biblioteca e um arquivo num edifico cedido pela Câmara de Lisboa.
A lucidez que lhe permitiu receber, entre 1995 e 2005, uma subvenção anual da Câmara Municipal de Lisboa, na qual o seu filho era Vereador e Presidente.
A lucidez que lhe permitiu que o Estado lhe arrendasse e lhe pagasse um gabinete, a que tinha direito como ex-presidente da República, na… Fundação Mário Soares.
A lucidez que lhe permite que, ainda hoje, a Fundação Mário Soares receba quase 4 mil euros mensais da Câmara Municipal de Leiria.
A lucidez que lhe permitiu fazer obras no Colégio Moderno, propriedade da família, sem licença municipal, numa altura em que o Presidente era, claro está… João Soares.
A lucidez que lhe permitiu silenciar, através de pressões sobre o director do “Público”, José Manuel Fernandes, a investigação jornalística que José António Cerejo começara a publicar sobre o tema.
A lucidez que lhe permitiu candidatar-se a Presidente do Parlamento Europeu e chamar dona de casa, durante a campanha, à vencedora Nicole Fontaine.
A lucidez que lhe permitiu considerar José Sócrates “o pior do guterrismo” e ignorar hoje em dia tal frase como se nada fosse.
A lucidez que lhe permitiu passar por cima de um amigo, Manuel Alegre, para concorrer às eleições presidenciais uma última vez.
A lucidez que lhe permitiu, então, fazer mais um frete ao Partido Socialista.
A lucidez que lhe permitiu ler os artigos “O Polvo” de Joaquim Vieira na “Grande Reportagem”, baseados no livro de Rui Mateus, e assistir, logo a seguir, ao despedimento do jornalista e ao fim da revista.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume depois de apelar ao voto no filho, em pleno dia de eleições, nas últimas(*) Autárquicas.
No final de uma vida de lucidez, o que resta a Mário Soares? Resta um punhado de momentos em que a lucidez vem e vai. Vem e vai. Vem e vai. Vai… e não volta mais.»

(*) – O texto é de 2009