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terça-feira, 26 de abril de 2011

Um espelho para o dr. Jorge Sampaio

Henrique Raposo (aqui)

O dr. Jorge Sampaio deve pensar que a malta é desprovida de memória. Ontem, este notável ex-Presidente disse que o problema de Portugal está na "falta de sustentabilidade" de muitas políticas públicas . Perante isto, pergunto: 
Este é o mesmo Dr. Sampaio que, em 2003, lançou a farpa da irresponsabilidade? 
Este é o mesmo Dr. Sampaio que disse "há vida além do défice"? 
Convém ter memória, meus amigos. 

O optimismo lorpa que estava (e está) a montante desta farpa de 2003 é a grande causa desta crise. "Há vida além do défice" continha (e contém) todos os vícios do optimismo irresponsável que achava (e acha) que o défice, a dívida e a despesa são coisas de merceeiros, e não coisas de políticos com "uma visão". "Há vida além do défice" continha (e contém) a cultura política que nos conduziu ao presente buraco. É a cultura política que despreza as contas, que despreza a realidade, que despreza o abismo entre os desejos e as possibilidades. E tem sido aí (no abismo entre o querer e o poder) que os portugueses têm vivido. Esta suspensão da realidade foi possibilitada pela cultura política dos dr. Sampaios desta terra. É bom ter memória. 
 
Ontem, o dr, Sampaio disse ainda que muitos políticos não estão à altura das suas responsabilidades. É verdade, sim senhora. Mas o dr. Sampaio devia colocar um espelho à sua frente na próxima vez que afirmar semelhante coisa.

terça-feira, 22 de março de 2011

quinta-feira, 10 de março de 2011

A tomade de Posse de Cavaco

Sinceramente, não percebo a polémica em torno do discurso Cavaco. 
Já cansado de ser enganado pelos comentadores, fui ler o discurso na integra...
Não vi nada de tão polémico. Trata-se da exposição clara de uma série de factos amplamente noticiados e reconhecidos.
Mas ele não fala da crise....
Por acaso até fala:
(...)" Face à situação em que o País se encontra, há que actuar simultaneamente no domínio estrutural, visando a resolução dos desequilíbrios que têm afectado a economia portuguesa, e no domínio conjuntural, visando mitigar o impacto negativo da actual crise sobre o emprego, sobre as empresas e sobre os Portugueses mais carenciados."(...)
e depois:
(...)" Na actual situação de emergência impõem-se, também, medidas de alcance conjuntural, que permitam minorar os efeitos imediatos da crise e criar o suporte económico e social necessário às transformações estruturais. Exige-se, em particular, um esforço determinado no sentido de combater o flagelo do desemprego. "(...)


Por curiosidade procurei também o discurso de tomada de posse do dr. Jorge Sampaio no 2º mandato 2001-2006, proferido na Assembleia da República em 9 de Março de 2001.

Já aí se afirmava:

(...)"No curto prazo, Portugal terá de corrigir alguns factores que afectam o equilíbrio da sua economia, nomeadamente no que respeita ao rápido crescimento do endividamento externo, à inflação e às subidas de custos superiores à média da zona Euro e, por conseguinte, à despesa nacional, com particular destaque para as despesas públicas e para a taxa de poupança das famílias."(...)
 
 " Outros avisos têm surgido alertando-nos sobre a possibilidade de crescermos menos do que a média europeia. Não podemos ser precipitados nesta matéria e admito que uma divergência temporária não deva ser tomada como um desfasamento duradouro. Mas quero expressar a minha profunda convicção de que Portugal e os portugueses não se resignariam se, a prazo, a convergência real em relação à Europa não prosseguisse a ritmo sustentado e significativo.

Se a tendência de crescimento que animou a esperança dos portugueses estiver ameaçada, é necessário, sem demora, tomar as medidas que garantam uma mudança de orientação."(...)

 Já sei, era a crise....